3 de jun de 2009

Lula rejeita 3° mandato, mas se diz feliz com apoio

Dois dias após a divulgação de uma pesquisa Datafolha que aponta a divisão no eleitorado sobre o terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a rejeitar essa possibilidade, mas se disse "muito feliz" com o apoio de tantos eleitores à sua reeleição.As declarações do petista ocorreram em sua visita oficial à Cidade da Guatemala. Ao criticar a cobertura da imprensa sobre o tema, Lula disse: "E isso (a nova reeleição), se for feito democraticamente, ainda é assimilável. Porque é muito engraçado que as críticas que fazem aos presidentes da América Latina que querem um terceiro mandato não se fazem aos primeiros-ministros na Europa que ficam 16 anos ou 18 anos".Ele defendeu o debate na Venezuela e na Colômbia: "O Hugo Chávez quer o terceiro mandato. Ele vai se submeter às eleições. Uma hora o povo pode querer, outra, o povo pode não querer. O Álvaro Uribe está querendo o terceiro mandato. Tem de passar por um referendo. Ele pode querer, e o povo pode elegê-lo ou pode não elegê-lo. Eu não vejo nisso nenhum mal. O que acho importante é que todo resultado seja um exercício da democracia".Pesquisa Datafolha revela que a emenda para que Lula possa disputar de novo é apoiada por 47% dos eleitores e rejeitada por 49%. "Fico muito feliz quando as pesquisas começam a demonstrar que uma grande parcela do povo começa a querer. Mas não existe hipótese de terceiro mandato", disse. "Volto a repetir o que eu já disse: eu não brinco com a democracia. Foi muito difícil a gente conquistá-la, e o que vale para mim vale para os outros. Alguém que quer o terceiro mandato pode querer o quarto, pode querer o quinto, pode querer o sexto. Acho que o Brasil não deve ter o terceiro mandato", disse.Aliados de Lula querem votar uma emenda constitucional permitindo duas reeleições seguidas até setembro. O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou uma proposta prevendo um referendo para decidir se Lula pode ou não concorrer, mas não foi aceita porque deputados do DEM e do PSDB retiraram as assinaturas. Lula criticou a mídia: "A verdade é que não teríamos democracia sem a imprensa, mas a verdade também é que a imprensa fortalecerá muito mais a democracia quando ela se contentar em informar os fatos, e não criar os fatos. E não se transformar em porta-voz de um pensamento político".

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